APRESENTAÇÃO
O estigma é um atributo ainda muito presente, nos dias que correm, quando se fala em doença mental, seja no mundo como em Portugal. Por se tratar de um atributo depreciativo, que leva à desaprovação e exclusão, representa um obstáculo na promoção de uma sociedade mais inclusiva e justa, na qual todos os seus membros possam ser respeitados na sua diferença e ter acesso, de forma igualitária, aos cuidados de saúde, habilitação/reabilitação e inclusão sócio-profissional de que necessitam. Sabe-se também que um dos fatores de desenvolvimento de atitudes estigmatizantes acerca da doença mental é a iliteracia, que se caracteriza pela falta de informação/conhecimento ou pela existência de informação/conhecimento errada/o. Neste sentido, o principal objetivo do presente estudo é investigar o conhecimento que os estudantes universitários têm sobre saúde e doença mental, a existência de alguma relação de proximidade com alguém com doença mental, e a existência de atitudes estigmatizantes em relação à doença mental, relacionando as três dimensões. Para isso, foi realizada uma investigação qualitativa, através da realização de entrevistas estruturadas a 30 estudantes universitários de várias instituições de Ensino Superior de norte a sul de Portugal. Dos resultados obtidos, destaca-se como resultado principal o padrão de respostas estigmatizantes vindo de participantes sem literacia em doença mental e/ou sem contacto com alguém com doença mental. (Ana Salomé Esperança Braz Matias)